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Na Fronteira do Fim do Mundo: documentário desnuda a realidade de municípios paraenses afetados pela mineração

  • Publicado: Terça, 30 de Agosto de 2022, 14h18

Doc mineração

A Universidade Federal do Pará vai realizar mais uma sessão especial de exibição do documentário Na Fronteira do Fim do Mundo, resultado de uma parceria entre o Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará (Sindifisco/PA) e a produtora Floresta Urbana. A exibição será no dia 31 de agosto, às 15h30, no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ/UFPA), e será seguida de debate, coordenado pela professora Ana Cláudia Cruz da Silva, com participação das economistas e professoras da UFPA Maria Amélia Enriquez e Larissa Chermont.

O filme retrata a realidade de municípios paraenses afetados pela mineração no estado do Pará. Segundo o documentário, no primeiro trimestre de 2021, a mineradora Vale lucrou 40 bilhões de reais, o maior lucro trimestral das empresas brasileiras de capital aberto na história do país, superior a todo o orçamento anual do estado do Pará previsto para este ano, estimado em 31,3 bilhões de reais. É essa relação desigual que se sobressai no documentário Na Fronteira do Fim do Mundo

O documentário foi lançado no final do ano passado, em Belém, durante o Seminário Internacional “Justiça Fiscal, Desigualdade e Desenvolvimento no Estado do Pará” e, logo depois, foi selecionado para o concurso Primavera/2022 do Festival canadense Montreal Independent Film (MIFF). O filme traça ainda um panorama da atividade mineradora no estado e suas consequências, quase sempre mais carregadas de impactos negativos que necessariamente desenvolvimento adequado e sustentável aos estados e municípios onde a atividade é dominante.

“O filme mostra como a implantação de projetos minerais acaba por tornar todo seu entorno em dependentes. Há um esvaziamento de movimentos sociais e, muitas vezes, um estado permanente de vigilância sobre comunidades”, afirma Ismael Machado, que assina roteiro e direção do longa documentário. É o que se vê nas ameaças de desalojamento de moradores de assentamentos, famílias de pequenos agricultores cuja terra, em Canaã dos Carajás, por exemplo, pode ser atravessada por estradas de ferro. O filme traz depoimentos de colonos, quase todos migrantes, cujo sonho sempre foi cultivar a terra. “Eu quero envelhecer aqui”, diz uma das moradoras do assentamento Alto da Serra, na zona rural de Canaã dos Carajás.

Ao longo de pouco mais de 50 minutos, o documentário debruça-se sobre as consequências da atividade mineradora para além da propaganda oficial. O município de Canaã dos Carajás, por exemplo, era um grande produtor de leite, queijos e tinha, na produção agrícola, um motor comercial. Com a descoberta de minérios como o cobre no subsolo, o município passou a vivenciar o que o pesquisador Bruno Malheiro classifica como ‘minério-dependência’. “A mineração ataca o metabolismo da vida”, resume o pesquisador. “Aqui não se produz mais quase nada na terra”, atesta uma liderança conhecida por Pixilinga.

Entre a euforia de uma pequena elite local nos municípios bafejados pela mineração, há também um cinturão de pobreza e um aprofundamento do desgaste ambiental. “É como se eu estivesse testemunhando a fronteira do fim do mundo”, afirma o procurador da República Igor Lima, em Marabá.

Expandindo discussões - O documentário é uma parceria entre o Sindifisco e a Floresta Urbana. A produtora recentemente lançou o curta documentário Amador, Zélia. A ideia de um filme que pudesse expandir as discussões sobre os impactos da mineração no Pará surgiu do presidente do Sindifisco, Charles Alcantara. O sindicato tem feito um alentado estudo sobre questões relacionadas à desigualdade tributária envolvendo as grandes empresas mineradoras no Pará. Na Fronteira do Fim do Mundo nasceu desses questionamentos.

Uma das vozes destacadas no documentário é a da professora Maria Amélia Enriquez, da UFPA, autora da série “Estudos da Mineração no Pará” - Volume I”, que, em parceria com o Sindifisco, tem buscado traduzir em números o grande paradoxo instalado nos municípios mineradores, fontes de altos lucros para acionistas, mas geradores de bolsões de miséria para suas populações.     

A equipe de filmagem se deslocou por mais de um mês entre os municípios de Marabá, Parauapebas e Canaã dos Carajás. A direção de fotografia é de Glauco Melo; e a produção, de Michelle Maia e Aline Paes. A colaboração no roteiro e na edição é de Vlad Cunha. Argumento, Ismael Machado e Charles Alcantara. A edição é de Arthur Santos. A trilha sonora é da banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado, com a música Aqui (ou Memórias do Cárcere).

Serviço

Sessão especial de exibição do documentário Na Fronteira do Fim do Mundo

Data: 31 de agosto de 2022

Horário: 15h30

Local: Auditório do ICJ/UFPA, Campus Profissional – Guamá, Belém.

Aberto ao público.

Texto: Divulgação
Foto: reprodução Pixabay

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